No âmbito do uso eficiente da energia, segundo o plano decenal de expansão energética elaborado pela EPE, espera-se que, em 2027, o consumo de energia economizado por meio de ações em eficiência energética resulte em um montante de energia igual a soma da produção anual das usinas de Itaipu e Xingó, cerca de 41TWh. Também estima-se que a participação industrial no consumo de energia produzida no Brasil em 2027 corresponda a 47% do total.
Da energia consumida pelo setor industrial, observa-se que o grupo das indústrias energo-intensivas, como as empresas do setor metalmecânico, apresentam um consumo de cerca de 24% do total. Neste contexto, é imprescindível, tanto por uma questão de disponibilidade de recursos energéticos quanto pela competitividade destas indústrias, que sejam realizadas ações de redução ou eliminação do desperdício nos processos fabris.
Os ganhos em economia de energia para indústrias que nunca realizaram ações de eficiência energética são de aproximadamente 10%. Isso sem a necessidade de investimentos significativos, trabalhando com ações de manutenção e ajustes em máquinas e equipamentos, conforme histórico de trabalhos já realizados pelo Instituto Senai de Tecnologia em Petróleo Gás e Energia (IST PGE).
Cabe ressaltar que não apenas o consumo da energia elétrica é analisado e trabalhado quando se busca uma maior eficiência energética. Também devem ser exploradas ações e melhorias direcionadas para todas as máquinas e equipamentos que utilizam qualquer tipo de fonte de energia, assim como no modelo de contratação de energia pela empresa e nas possibilidades de migração das empresas para o mercado de energia livre, cogeração e geração por meio de energias alternativas.
Considerando os trabalhos realizados dentro do tema “eficiência energética” pelo IST PGE em empresas do setor metalmecânico localizadas no Vale dos Sinos, foi possível alcançar a economia anual de cerca de 771,61MWh de energia apenas por meio de ações de manutenção corretiva, tais como manutenção e ajustes de processos. Estas melhorias oportunizaram para as empresas uma redução nos valores de energia consumida (aproximadamente 80 mil reais por empresa ao ano) e também a diminuição da necessidade de geração desta energia economizada, minimizando, por consequência, o impacto ambiental resultante das atividades destas empresas.
É preciso ter em mente que a energia é um insumo fundamental para assegurar o desenvolvimento econômico e social de um país. Sendo assim, buscar a racionalização de seu uso é uma alternativa de baixo custo e de curto prazo de implantação para conquistar práticas mais sustentáveis de produção.
Em alguns casos, simples mudanças de procedimentos e de hábitos podem resultar em economias significativas. Uma empresa que deseja alcançar uma estrutura de custos racionalizada e tornar-se competitiva deverá sempre considerar em seu modelo de gestão a análise do desperdício de energia, utilizando-a de forma eficiente e responsável.
Deixe um Comentário