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“Transformar as necessidades das regiões em propostas concretas para o fortalecimento da economia gaúcha.” Esse foi o compromisso reforçado pelo presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, ao abrir mais uma edição do Rota FIERGS, desta vez em Erechim, nesta quarta-feira (12). A cidade foi escolhida para representar os 88 municípios que integram a região Norte, que abrange localidades como Passo Fundo, Marau e Carazinho. O evento ocorreu na Associação Comercial, Cultural e Industrial (ACCIE) e recebeu empresários, representantes de sindicatos, autoridades do poder público e a diretoria da Federação para debater as prioridades para o desenvolvimento regional. 

As demandas apresentadas em agosto de 2025 tratavam, em sua maioria, de qualificação profissional, infraestrutura logística, promoção de crédito para indústrias e ampliação das compras públicas. “Hoje voltamos para dar sequência a esse trabalho. Retornamos para apresentar os encaminhamentos realizados, prestar contas do trabalho desenvolvido e, principalmente, ouvir novas demandas”, afirmou Bier, que participou do evento por videoconferência em razão de restrições climáticas para deslocamento. O presidente ressaltou que é necessário se preparar para o amanhã, com uma indústria mais inovadora, produtiva, sustentável e capaz de responder às transformações da economia, o que passa por “investimentos em pessoas, tecnologias, infraestrutura e em um ambiente que incentive e acredite no Rio Grande do Sul”, complementou.

O vice-presidente regional do Sistema FIERGS na região Norte, Jairo Alberto Zandoná, destacou a proximidade da entidade com os empresários e sua forte articulação em Brasília. “O Sistema FIERGS tem feito esse trabalho de ir até o interior para aproximar a entidade dos empresários. Temos diversos setores trabalhando pelo Rio Grande do Sul, especialmente na orientação sobre a reforma tributária e na defesa da indústria junto ao Congresso Nacional”, afirmou. Zandoná alertou para a urgência do debate sobre os gargalos locais de infraestrutura na região. “A logística será o grande tema deste debate. A região Norte é a que mais cresce no estado, mas é também a que possui as maiores deficiências de infraestrutura”, concluiu.

Já o prefeito de Erechim, Paulo Alfredo Polis, destacou o potencial da região ao contextualizar a força econômica do município, que possui 110 mil habitantes e 23 mil empresas. "A força motriz da nossa economia vai continuar sendo a indústria, porque ela arrasta, motiva e puxa os demais setores, fazendo com que o comércio e os serviços também sejam impulsionados", afirmou.
 

As respostas às prioridades do último ano foram apresentadas pela diretora-geral do Sistema FIERGS, Ana Paula Werlang. Entre as demandas institucionais da região se destaca o apoio ao projeto do Porto Meridional, em Arroio do Sal, com a articulação institucional em diferentes esferas do governo, além da inclusão do pleito no documento Propostas Indústria RS, que reúne 118 proposições para as esferas estadual e federal elaboradas pela entidade. 

Outra prioridade foi a ampliação da participação das indústrias gaúchas em compras públicas, com incentivo à participação em editais, especialmente de uniformes escolares. A promoção de crédito para micro e pequenas empresas, incluindo a defesa de um modelo nacional de crédito subsidiado e previsível, além da atuação do Núcleo de Acesso ao Crédito (NAC) para aproximar as empresas de instituições financeiras e soluções de financiamento, estiveram entre as devolutivas apresentadas. Outros pleitos destacados foram a articulação da entidade pelo Fundo Constitucional (PEC 27/2023) e a parceria com o Brasil Mais Produtivo (B+P) e o Senai para ações de manufatura enxuta, eficiência energética e transformação digital.

O diretor do Sesi, Senai e IEL-RS, Claudio Gastal, detalhou os investimentos realizados na região nas áreas de educação e saúde. Entre os destaques está a ampliação da Escola de Construção Civil em Passo Fundo, iniciativa que permitirá incrementar a oferta de cursos de qualificação na área, por meio da atuação do Senai. A iniciativa está em fase de formalização junto ao Sinduscon para a assinatura de um termo de parceria. O projeto arquitetônico da escola segue na definição das premissas, na validação técnica e no detalhamento estrutural para a sua implantação.

Durante a programação, também foram listados os atendimentos feitos com relação às demandas levantadas no ano passado. No eixo da qualificação profissional ganharam destaque os programas Educa+ Senai, com mais de 3,4 mil matrículas em Jovem Aprendiz, entre 2025 e 2026, e o Qualifica Indústria, com mais de 200 vagas disponíveis para requalificar profissionais da região. 

No eixo de educação profissional, se destaca o Programa B+P, com 84 matrículas em cursos de produtividade industrial, e a expansão da aprendizagem industrial, com mais de mil matrículas realizadas e 147 empresas atendidas atualmente na região, além do relacionamento com o setor produtivo, por meio de ações de aproximação com mais de 39 empresas das diversas cadeias produtivas da região. A atração de jovens para a indústria por meio do projeto HOB – Hands On Bot também foi detalhada. O projeto, voltado à robótica, programação e aprendizagem prática, conta com 70 estudantes participantes e sete professores capacitados. Outro destaque foram os mais de 1,8 mil estudantes atendidos na região por meio do SEJA Pro+ Trabalho e Emprego e o EJA do Sesi. 

A implantação e operacionalização de uma Cuidoteca em unidade do Sesi-RS em Erechim também foi destaque. O espaço será voltado ao cuidado de crianças, oferecendo suporte a pais, responsáveis e, principalmente, mães trabalhadoras da indústria que precisam conciliar trabalho, estudos e qualificação profissional. O programa Firma, que visa fortalecer a competitividade e o desenvolvimento de lideranças em pequenas e médias indústrias, também foi apresentado. Na região, a iniciativa já reúne 19 empresas em 10 municípios, e contempla 57 matrículas.

Um panorama do projeto Vocações, desenvolvido pelo Instituto Sesi de Formação de Professores, que analisa as potencialidades socioeconômicas territoriais e direciona as ações de educação profissional de acordo com as necessidades da indústria, foi exposto durante o encontro. Com aportes superiores a R$ 3 milhões em 2025, a região Norte contemplou diversos projetos que já foram concluídos ou estão em andamento, como o Sesi e o Senai José Oscar Salazar, em Erechim, o Senai Nicandro Oltramari, em Marau, e o Senai João Wallig, em Carazinho.

O encontro contou também com uma palestra do economista-chefe da FIERGS, Giovani Baggio, sobre o cenário econômico e o desempenho industrial. Durante a apresentação, foi destacado que a região Norte possui uma indústria diversificada e de forte impacto no desenvolvimento econômico do Rio Grande do Sul. Formada por 88 municípios, a região conta com 4,8 mil industriais — o que representa 9,2% das empresas do setor no estado (quinto maior contingente gaúcho) — e gera cerca de 74,5 mil empregos diretos (8,5% da força de trabalho industrial do RS). Além disso, a arrecadação de ICMS da indústria local atinge R$ 3,4 bilhões, ocupando a terceira posição no estado (11,4% do total). Entre os principais segmentos industriais que impulsionam a região estão alimentos, máquinas e equipamentos, construção civil, produtos de metal, veículos automotores, móveis, borracha e material plástico, além de minerais não metálicos.

PRIORIDADES DA REGIÃO
Para 2026, os participantes do evento elegeram cinco novas demandas para as quais esperam atuação do Sistema FIERGS:
1.    Apoio ao projeto de duplicação e melhorias na BR-285, especialmente no corredor que conecta Carazinho, Passo Fundo e a região Norte, assim como as melhorias na BR-153 e na RS-135, visando qualificar a infraestrutura logística rodoviária, assim como promover as ações de articulação para qualificação da infraestrutura ferroviária regional;
2.    Fortalecer iniciativas educacionais voltadas à formação e qualificação técnica de jovens, alinhadas às necessidades do setor produtivo e ao desenvolvimento regional;
3.    Articulação com o BNDES para desenvolvimento de linha de crédito acessível para viabilizar a modernização das indústrias, possibilitando o aumento da competitividade das indústrias gaúchas;
4.    Defender institucionalmente as ações de defesa da indústria gaúcha e brasileira, proporcionando uma concorrência leal entre os produtos nacionais e internacionais, em especial, na manutenção das taxações das importações de vestuário e outros produtos prontos de baixo valor (taxa das blusinhas);
5.    Desenvolver capacitações de profissionais na área de fundição e usinagem, por meio do Senai, em parceria com as empresas que necessitam de profissionais da área.
 

Publicado quarta-feira, 12 de Agosto de 2026 - 16h16
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