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Uma atenta plateia de 990 alunos de oito escolas do Sesi-RS participou, nesta quarta-feira (12), do concerto Guatá-Porã, apresentado pela Orquestra Villa-Lobos, no Teatro FIERGS. A iniciativa integrou o Programa Arte para Todos, que busca democratizar o acesso à cultura. Inspirado na ancestralidade dos povos indígenas brasileiros, o espetáculo promoveu reflexões sobre a crise socioambiental, a preservação dos direitos e territórios originários e o enfrentamento das mudanças climáticas.

A apresentação foi recebida com entusiasmo pelo público, que contou também com integrantes de duas orquestras do Sesi-RS. Ao final do concerto, os artistas foram aplaudidos de pé.

A maestra e coordenadora da Orquestra Villa-Lobos, Cecília Silveira, destacou o papel transformador da arte e a importância de abordar a temática dos povos originários. “Ficamos muito emocionados e gratos pela oportunidade proporcionada pelo Sesi, pela acolhida da FIERGS e por estar neste palco com uma plateia tão participativa. A temática dos povos originários e a descoberta das nossas origens genuínas é algo em que a arte pode contribuir muito e possamos compreender sua importância”, afirmou.

O espetáculo reuniu 42 músicos da orquestra, dois cantores convidados e o coral indígena Canções Para Todos Se Alegrarem, da cacica Jaxuka. A cenografia combinou figurinos temáticos, iluminação cênica e projeções em telão, reforçando a experiência sensorial da apresentação.

Para os integrantes da Orquestra Villa-Lobos, o concerto representou uma experiência que ultrapassou a dimensão musical. O músico Geyson, de 33 anos, que ingressou no projeto aos oito, destacou a imersão cultural proporcionada pelo espetáculo. “A orquestra guiou meu futuro profissional. Sempre apresentamos grandes espetáculos, mas este foi especialmente impactante porque nos aproximou de uma cultura com a qual nem sempre temos contato no dia a dia. Além de conhecer a cultura indígena, tivemos um convívio direto com os povos originários”, disse. O músico Thales, de 26 anos, ressaltou o caráter inclusivo da iniciativa desenvolvida pelo Sistema FIERGS, por meio do Sesi-RS. “A orquestra abre portas profissionais e educacionais, tirando jovens da rua e mudando vidas”, destacou.

Entre os estudantes, a experiência também deixou marcas. Larissa Lopes, de 15 anos, aluna do Sesi-RS em Montenegro, contou que o concerto despertou uma forte conexão com a natureza. “Achei muito bonito por mostrar os povos indígenas. Deu uma sensação de paz, de natureza e de tranquilidade. Fiz um trabalho escolar sobre a Amazônia e sobre os impactos das ações humanas na natureza, então é muito importante falarmos sobre os nossos biomas”, afirmou.

Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial de Porto Alegre, a Orquestra Villa-Lobos, mantida pela prefeitura, já realizou mais de 1,4 mil concertos no Brasil e na América do Sul e acumula 29 premiações nas áreas de educação, cultura e direitos humanos.

Publicado quinta-feira, 13 de Agosto de 2026 - 11h11
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