A mudança de posicionamento da empresa, com a ampliação do portfólio e a aproximação com o consumidor final, abriu caminho para a expansão internacional. Segundo Muriel, o movimento começou de forma orgânica, a partir da demanda de clientes estrangeiros que conheceram a empresa, antes de evoluir para operações mais estruturadas. “Fomos provocados pelo próprio cliente e foi preciso aprender fazendo”, disse. O painel foi mediado pela integrante do Conselho de Desenvolvimento de Lideranças (Conlider) do Sistema FIERGS, Milena Pedroso.
IMPACTO DO TARIFAÇO
Se, no nível das empresas, a expansão para novos mercados aparece como estratégia de crescimento, no cenário atual esse movimento encontra um ambiente mais complexo. Diretor da FIERGS e presidente do Sindimadeira-RS, Leonardo De Zorzi destacou que o chamado “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos já impacta diretamente setores exportadores como o de madeira processada, com perda de espaço no mercado americano. “Saímos de uma das melhores alternativas para uma das piores”, afirmou, ao apontar o avanço da indústria norte-americana.
Segundo o gerente de Relações Internacionais e Comércio Exterior do Sistema FIERGS, Luciano D’Andrea, a política comercial dos Estados Unidos passou a assumir um papel mais estratégico no último ano, com o uso de tarifas como instrumento de negociação. “A tarifa deixou de ser apenas um mecanismo de arrecadação ou proteção e passou a ser uma ferramenta geopolítica”, disse. O impacto é relevante para o Rio Grande do Sul, já que os Estados Unidos são o segundo principal destino das exportações gaúchas e concentram produtos de maior valor agregado.
FORMAÇÃO DE TALENTOS
Diante desse ambiente mais desafiador para o setor industrial gaúcho, a capacidade de adaptação das empresas passa também pela formação de talentos. O painel sobre empregabilidade jovem em um mundo em transformação destacou que a colocação no mercado de trabalho vai além do acesso ao primeiro emprego e passa pela capacidade de se manter atualizado em um cenário de mudanças constantes, especialmente entre jovens ainda distantes da indústria.
As especialistas do Instituto Euvaldo Lodi (IEL-RS) Greice De Rossi e Eduarda Borba apontaram a existência de três movimentos em curso: a valorização da experiência prática ainda durante a formação e o peso crescente das habilidades comportamentais (soft skills), além da necessidade de articulação entre setores público, privado e acadêmico na preparação desses profissionais.