Na sequência, um debate tratou sobre a competitividade da agroindústria, com foco em tecnologia, governança e mercado. Representantes do setor citaram os desafios estruturais e econômicos presentes no ambiente de negócios no estado, especialmente em relação às cadeias produtivas do arroz e da proteína animal. Entre eles, a alta carga tributária, os gargalos logísticos e a perda de talentos para outros estados e países. Os participantes também destacaram a importância do cooperativismo como motor de desenvolvimento e avanço de projetos para mitigar perdas decorrentes das mudanças climáticas.
RECONFIGURAÇÃO GLOBAL
A competitividade da agroindústria gaúcha passa, cada vez mais, por fatores que vão além do ambiente interno. No painel que abriu a programação da tarde na Casa do Simers, foram discutidos os principais elementos externos que pressionam o setor, como o tarifaço norte-americano, conflitos geopolíticos e eventos climáticos extremos.
No caso do estado, onde 18,9% do faturamento da indústria vem do mercado internacional, esses movimentos tendem a ser sentidos ainda mais diretamente. Especialistas ouvidos no debate destacaram que, diante de fatores fora do controle, o país precisa avançar em agendas internas, com destaque para a redução do Custo Brasil e das taxas de juros e o aumento da produtividade.
REFORMA TRIBUTÁRIA
Seguindo na lógica de adaptação interna, a reforma tributária foi apontada como uma mudança estrutural para a competitividade da indústria, com impactos sobre diferentes segmentos. Durante o painel, especialistas destacaram que o novo modelo rompe com o regime atual ao transferir a tributação da origem para o destino, ampliar a incidência sobre bens e serviços e, sobretudo, limitar a concessão de incentivos fiscais por estados e municípios.
Na prática, essa mudança reduz instrumentos históricos de atração e manutenção de empresas nos territórios e impõe um ambiente mais homogêneo do ponto de vista competitivo. Com efeitos diretos sobre preços, custos e cadeias produtivas, o novo sistema pode levar à revisão de estratégias industriais e até à realocação de investimentos, reforçando a pressão por eficiência e produtividade nas empresas.
PESQUISA E COMPETITIVIDADE
Diante de um cenário de pressões externas e mudanças tributárias, a inovação passou a ser tratada menos como tendência e mais como necessidade imediata para a indústria gaúcha. No painel de encerramento, o tema apareceu diretamente ligado ao aumento de produtividade e à capacidade das empresas de responder a um ambiente mais competitivo.
Os painelistas, representantes da indústria e pesquisadores, destacaram que o avanço tecnológico depende não só de investimento, mas também da forma como a inovação é incorporada ao dia a dia das empresas. A conexão entre desafios concretos da indústria e soluções tecnológicas, especialmente em áreas como sensores, automação e inteligência artificial, foi apontada como via para gerar ganhos reais de eficiência.