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Da transição energética aos impactos da reforma tributária e à atração de talentos, a Casa da Indústria do Sistema FIERGS, na Expointer, recebeu, nesta sexta-feira (4), debates estratégicos para o desenvolvimento do setor produtivo gaúcho. Os painéis destacaram o lançamento da agenda RS+5 para o setor de energia renovável, os novos caminhos para a formação profissional na indústria e as perspectivas fiscais para o agronegócio, além de abordarem economia criativa, sustentabilidade e inovação tecnológica.

Com o questionamento de como transformar um produto tradicional do campo em uma marca inovadora, o primeiro painel da manhã abordou a criação da Mon Jullí, marca da Ximango que transformou o broto da erva-mate em uma linha de chás de alto valor agregado, explorando diferenciais em design, posicionamento e acesso a novos mercados. Um dos pontos ressaltados foi o desenvolvimento de um processo inédito: utilizar brotos jovens, colhidos entre sete e 20 dias, em vez das folhas maduras com ciclo de dois anos usadas na bebida tradicional. Com apoio de pesquisas do Senai-RS e parcerias com o Sebrae, a marca estruturou seus processos, criou maquinários próprios e reformulou embalagens com ilustrações exclusivas. Nos estudos conduzidos junto ao Senai-RS, o broto da erva-mate revelou alta concentração de antioxidantes, equivalente à da Camellia sinensis — planta que dá origem aos chás verde e preto. A descoberta respaldou o posicionamento da empresa como o "chá verde sul-americano" e rendeu dois prêmios internacionais em Paris, além de patentes em 20 países.

Em seguida, o painel realizado em parceria com o Sindienergia-RS lançou o Programa RS+5, uma agenda estratégica para adicionar 5GW em geração renovável ao estado até 2030, com estimativa de atrair R$ 35 bilhões em investimentos e gerar 90 mil empregos. Para reduzir a dependência energética gaúcha (que hoje importa até 40% da energia consumida), a iniciativa prevê o fortalecimento da infraestrutura de transmissão e distribuição, a revisão de modelos hídricos e o uso de fontes limpas para atrair setores como data centers, hidrogênio verde e biometano. O programa também defende novos mecanismos de financiamento, como o Fundo Constitucional do Sul e a adaptação do Fundopem.

PESQUISA E DESENVOLVIMENTO REGIONAL
A educação como fator fundamental para o futuro da agroindústria também foi foco da programação. Em painel composto por estudantes da Escola Sesi de Pelotas, o grupo discutiu os possíveis cenários para a Região Sul a partir da pesquisa Vocações, responsável por analisar as transformações econômicas, sociais e produtivas gaúchas e criar bases para apoiar decisões. Com o objetivo de descobrir o perfil de quem fará parte da indústria do amanhã, alunas do 3º ano do Ensino Médio debateram maneiras de preparar os jovens para o mercado local. As estudantes apresentaram o Mycelium Shape, projeto em desenvolvimento na escola que envolve a criação de um tempero natural, orgânico e saudável com o cogumelo shimeji como ingrediente principal. A escolha teve o amparo do levantamento, responsável por identificar o crescimento dos vínculos empregatícios do setor de temperos e condimentos na região, número quase três vezes maior no comparativo entre 2019 e 2025.

A alimentação seguiu em destaque com o painel "Do território ao mercado: valorização de insumos regionais e subprodutos agroindustriais". O debate contou com a participação de especialistas e de representantes do setor, abordando a valorização do território a partir das culturas produtivas, das características ambientais e das competências locais com potencial de transformação em alimentos, experiências gastronômicas e tecnologias. O grupo discutiu o papel das cadeias agroindustriais na geração de materiais e de resíduos potenciais. Com pesquisa, tecnologia, criatividade, segurança e visão comercial, parte desses insumos podem assumir novas funções e dar origem a ingredientes, produtos e processos sustentáveis. A pauta incluiu também a aproximação com as cadeias produtivas regionais e a valorização da biodiversidade gaúcha para fortalecer o elo entre produtores e consumidores.

Na sequência, a equipe de Estratégia e Desenvolvimento de Serviços do Senai-RS apresentou os resultados do Estudo Plurianual, focado na análise dos complexos industriais do Rio Grande do Sul, da geografia produtiva e das dinâmicas territoriais. A partir do levantamento, o grupo discutiu caminhos para o enfrentamento dos desafios de retenção de talentos e de atração de jovens profissionais, com a preparação das novas gerações para o atendimento às demandas futuras da indústria.  O planejamento dá amparo a uma atuação mais assertiva e a um direcionamento de ações eficaz, de acordo com as necessidades de cada região do estado.

TRIBUTOS E INOVAÇÃO
A reforma tributária e a necessidade de planejamento das indústrias também estiveram entre os temas debatidos nesta sexta-feira. O novo sistema de tributação, considerado de grande impacto para a economia, exige atenção das empresas para que as mudanças não comprometam sua competitividade. Entre as recomendações dos painelistas, o planejamento tributário e a organização das cadeias de fornecimento ganharam destaque. Também é importante estar em conformidade fiscal e compreender em que ponto da cadeia produtiva a empresa está, para avaliar corretamente os efeitos da nova sistemática de tributação. A simplificação dos tributos, com regras que interajam entre si, também foi apontada como necessária para garantir segurança jurídica, reduzir custos e fortalecer a competitividade das empresas. Nesse cenário, logística e infraestrutura ganham relevância, especialmente diante da redução dos incentivos fiscais.

A inovação encerrou o dia de atividades da Casa da Indústria, com uma apresentação voltada à aplicação de materiais compósitos (fibra de vidro e carbono) e polímeros reforçados no setor de máquinas e implementos agrícolas. As pesquisas desenvolvidas pelo Instituto Senai de Inovação em Engenharia de Polímeros abordam soluções para redução do peso estrutural, resistência à corrosão e à fadiga, aumento da eficiência energética dos equipamentos no campo e novas tendências em design estrutural avançado. Em relação às máquinas convencionais que usam aço, a utilização desses materiais pode contribuir para a redução de peso e o aumento da durabilidade dos equipamentos, trazendo mais competitividade e produtividade à agroindústria.

Publicado sexta-feira, 4 de Setembro de 2026 - 18h18
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