PESQUISA E DESENVOLVIMENTO REGIONAL
A educação como fator fundamental para o futuro da agroindústria também foi foco da programação. Em painel composto por estudantes da Escola Sesi de Pelotas, o grupo discutiu os possíveis cenários para a Região Sul a partir da pesquisa Vocações, responsável por analisar as transformações econômicas, sociais e produtivas gaúchas e criar bases para apoiar decisões. Com o objetivo de descobrir o perfil de quem fará parte da indústria do amanhã, alunas do 3º ano do Ensino Médio debateram maneiras de preparar os jovens para o mercado local. As estudantes apresentaram o Mycelium Shape, projeto em desenvolvimento na escola que envolve a criação de um tempero natural, orgânico e saudável com o cogumelo shimeji como ingrediente principal. A escolha teve o amparo do levantamento, responsável por identificar o crescimento dos vínculos empregatícios do setor de temperos e condimentos na região, número quase três vezes maior no comparativo entre 2019 e 2025.
A alimentação seguiu em destaque com o painel "Do território ao mercado: valorização de insumos regionais e subprodutos agroindustriais". O debate contou com a participação de especialistas e de representantes do setor, abordando a valorização do território a partir das culturas produtivas, das características ambientais e das competências locais com potencial de transformação em alimentos, experiências gastronômicas e tecnologias. O grupo discutiu o papel das cadeias agroindustriais na geração de materiais e de resíduos potenciais. Com pesquisa, tecnologia, criatividade, segurança e visão comercial, parte desses insumos podem assumir novas funções e dar origem a ingredientes, produtos e processos sustentáveis. A pauta incluiu também a aproximação com as cadeias produtivas regionais e a valorização da biodiversidade gaúcha para fortalecer o elo entre produtores e consumidores.
Na sequência, a equipe de Estratégia e Desenvolvimento de Serviços do Senai-RS apresentou os resultados do Estudo Plurianual, focado na análise dos complexos industriais do Rio Grande do Sul, da geografia produtiva e das dinâmicas territoriais. A partir do levantamento, o grupo discutiu caminhos para o enfrentamento dos desafios de retenção de talentos e de atração de jovens profissionais, com a preparação das novas gerações para o atendimento às demandas futuras da indústria. O planejamento dá amparo a uma atuação mais assertiva e a um direcionamento de ações eficaz, de acordo com as necessidades de cada região do estado.
TRIBUTOS E INOVAÇÃO
A reforma tributária e a necessidade de planejamento das indústrias também estiveram entre os temas debatidos nesta sexta-feira. O novo sistema de tributação, considerado de grande impacto para a economia, exige atenção das empresas para que as mudanças não comprometam sua competitividade. Entre as recomendações dos painelistas, o planejamento tributário e a organização das cadeias de fornecimento ganharam destaque. Também é importante estar em conformidade fiscal e compreender em que ponto da cadeia produtiva a empresa está, para avaliar corretamente os efeitos da nova sistemática de tributação. A simplificação dos tributos, com regras que interajam entre si, também foi apontada como necessária para garantir segurança jurídica, reduzir custos e fortalecer a competitividade das empresas. Nesse cenário, logística e infraestrutura ganham relevância, especialmente diante da redução dos incentivos fiscais.
A inovação encerrou o dia de atividades da Casa da Indústria, com uma apresentação voltada à aplicação de materiais compósitos (fibra de vidro e carbono) e polímeros reforçados no setor de máquinas e implementos agrícolas. As pesquisas desenvolvidas pelo Instituto Senai de Inovação em Engenharia de Polímeros abordam soluções para redução do peso estrutural, resistência à corrosão e à fadiga, aumento da eficiência energética dos equipamentos no campo e novas tendências em design estrutural avançado. Em relação às máquinas convencionais que usam aço, a utilização desses materiais pode contribuir para a redução de peso e o aumento da durabilidade dos equipamentos, trazendo mais competitividade e produtividade à agroindústria.