A quinta edição do Mostra Sesi Com@Ciência, que ocorreu em Canoas desde segunda (13) até esta sexta-feira (17), chega ao fim com saldo positivo. Nos quatro dias de atividades, o evento reuniu cerca de cinco mil estudantes de escolas públicas e privadas. Crianças, jovens e adultos apresentaram no pavilhão de esportes do Sesi Canoas mais de 200 projetos: 190 dos programas de educação do Sesi (92 de estudantes das escolas de Ensino Médio, 32 de crianças e adolescentes do Contraturno Tecnológico e 66 de jovens e adultos da EJA), além de outros 27 de escolas estaduais e quatro de redes municipais. Foi a primeira vez que instituições da rede estadual participaram da feira.
Os primeiros dois dias tiveram projetos de alunos do Ensino Médio. Na quinta-feira (16), foi a vez de estudantes da Educação para Jovens e Adultos (EJA) e do Torneio de Robótica da First Lego League (FLL). No fim da tarde de quinta-feira, os alunos da EJA participaram de um torneio de robótica próprio. A sexta-feira conta com iniciativas de crianças do contraturno e continuidade da FLL. Todas as atividades tiveram entrada gratuita.
Com o tema Saber Questionar para Conectar, as iniciativas apresentadas na mostra tinham como objetivo resolver problemas com os quais os estudantes se deparam no cotidiano, destacando a importância do pensamento crítico diante do avanço das novas tecnologias. O que se viu foram boas ideias divididas em seis categorias: desenvolvimento sustentável e empreendedorismo; corpo, movimento, música e tecnologia; práticas de engenharia; meninas e mulheres nas ciências; inclusão e cidadania; e acessibilidade e mobilidade.
“A gente acompanha o cotidiano das escolas, sabe que teremos projetos muito legais sempre. Queremos criar uma conexão da educação com o mundo do trabalho, por meio de algo que faz sentido para os estudantes. O Com @ Ciência não é apenas um evento, mas sim um movimento”, avalia o superintendente do Sesi-RS, Juliano Colombo.
Este ano, a Mostra Sesi Com@Ciência passou por alterações. Geralmente sediado no pavilhão de eventos da FIERGS em dois dias, a iniciativa criada em 2018 foi dividida para que o Sesi ajudasse cidades no Vale do Taquari que sofreram com as enchentes. Com isso, em outubro, houve atividades voltadas aos educadores (da rede Sesi e pública) no Observatório da Educação do Sesi-RS, Centro de Porto Alegre, e, neste mês de novembro, a mostra de projetos dos alunos.
Sobre a mudança, Juliano acredita que serviu para mostrar que é possível manter o foco na educação de maneira mais direcionada, ligando agentes que fazem parte do processo.
“Nos trouxe novas possibilidades, de fazer várias ações que se integram ao evento. Nos fez repensar que podemos movimentar as cidades onde o Sesi tem atuação, bem como congregar escolas, privadas e, principalmente, públicas”.
CONHECIMENTO E TRABALHO NA PRÁTICA
Na quinta-feira (16), foi possível conferir projetos voltados a resolver problemas nas empresas onde os estudantes atuam. Um deles foi o “Vagão para autoclave de vulcanização: estudo de caso em uma indústria calçadista do Vale do Paranhama”, desenvolvido por alunos do EJA da Unidade Sesi de Parobé. Claudinei Saldanha, Fabio de Paula, Marinês Ramos, Norton Rodrigues e Tassia Silveira pensaram em uma maneira automatizada para colocar uma estrutura carregada de calçados com mais segurança e eficiência dentro uma espécie de forno (onde é feito para parte da confecção, quando é colada a borracha que junta o cabedal com a sola). Depois de muito estudo e aprimoramentos, o projeto foi apresentado à empresa Ramarim, que mostrou-se interessada na criação.
“O vagão é bem pesado, ainda mais carregado, e precisa ser empurrado por alguém. Pode acontecer de a pessoa se machucar, bater em outra ou em algo que estraga. Por isso, pensamos numa estrutura robô que pode ser programada para fazer isso com segurança, aumentando a qualidade da produção e evitando desperdício”, explica Norton Rodrigues, 21 anos.
Segundo o jovem, além da parte técnica, há uma mensagem a ser passada: “Assim como nós pegamos um problema e usamos a tecnologia disponível para resolvê-lo, outras pessoas podem fazer. Precisamos que as mentes por trás dos equipamentos tenham ideias”.